1 de jan de 2009

Pronúncia do ся

Engraçado, minha mãe sempre pronuncia palavras terminadas em ся como se fosse ча. Notei isso também em missas. Também notei que isso parece ser uma regra de pronúncia em polonês que é considerada antiquada hoje em dia.

Ouvindo algumas músicas do Кому Вниз me parece que a pronúncia certa é "ciá" mesmo. Assim como em russo.

Parece mais uma característica do tal "dialeto da Halechena".

Obviamente qualquer comentário esclarecendo isso é sempre bem vindo.

Atualização: não deixe der ler os comentários deste post!

2 comentários:

  1. Oi, Bohdan,

    Desculpe por tamanho deste texto, comecei com uma pequena coisa, acabei por fazer um artigo, já agora, o usarei no meu blogue e tudo graças a sua pergunta, obrigado!

    Não só as palavras que terminam na –ться (-tsya) se pronunciam na comunidade ucraniana do Brasil como –ча (-cha), mas também –цюк (tsyuk) são pronunciados como –чук (chuk), пацюк (patsyuk) – пачук (pachuk), працюю (pratsuyu) – прачую (prachuyu), працювати (pratsyuvaty) – прачувати (prachuvaty).

    Agora, um pequeno reparo, o nosso –tsya, não é igual ao –tsia / —tsa russo, pois em ucraniano se escreve como –ться e em russo como –тся / —тса, a diferença está na ausência do sinal molhe (ь), que nestes casos se usa em ucraniano e não se usa em russo. Por exemplo “vin molythsya (ele reza, UA), “on molitsa” (ru). Mas também não se deve esquecer que em ucraniano sinal mole pode dar lugar a letra y (и) em algumas palavras: eles rezam – вони молятЬся / vamos rezar – підемо молитИся.

    Achei muita graça, quando as pessoas diziam “pachuk”, referindo-se ao porco, pois no ucraniano – padrão (variante Kyiv – Poltava), pacyuk (пацюк) significa a ratazana. Mas depois uns médicos ucranianos que trabalhavam em Moçambique (naturais da Vinnytsya, outro exemplo do uso do –tsya, região que ainda não é a Halychyna, mas é mais ao Ocidente, em relação ao Kyiv), me explicaram que na zona deles também se diz “pacyuk”, “pac”, referindo-se ao porco. Até no famoso livro para as crianças do britânico A. A. Milne, “Winnie, the pooh”, o urso Pooh tem o amigo porquinho. E este porquinho em alguma tradução ucraniana é “pats” (паць).

    Além disso, reparei, que no Brasil a letra y (и) se transformou no e (e), dai а Halechena, em vez de Halychyna, muzeka (músico), em vez de muzyka, trezub (tridente), em vez de tryzub, etc.

    O que eu acho? Acho essas diferenças adoráveis e acredito que a Academia das Ciências da Ucrânia tem a obrigação de mandar uma expedição ao Brasil (Argentina, outros países da América Latina, também aos EUA e Canada), para recolher o maior número de depoimentos dos ucranianos que ainda falam ucraniano com estas particularidades regionais.

    É bem possível que na Ucrânia, já não haja ninguém, sim, ninguém que fale assim e no Brasil tem aldeias (colónias) inteiras que falam dessa maneira. Será um verdadeiro crime da falta de memória colectiva de deixar morrer essa gente sem os gravar, filmar, arquivar, pôr no YouTube, fazer páginas da Internet, etc. (Apenas imaginam a possibilidade de existir uma “máquina do tempo”, que permitiria viajar 100 anos atrás para a Halychyna? No Brasil essa maquina já existe, são as nossas comunidades).

    Já pensava nisso muito tempo, mas ainda não tive a perseverança necessária para “obrigar” o nosso amigo Guto Pasko de gravar uma entrevista em ucraniano. Quando ele fala ucraniano, eu me verdadeiramente emociono, pois vejo perante de mim, uma história completa do meu povo. Que saiu da Halychyna, mudou-se para um outro mundo, sobreviveu tudo e todos e agora está desaparecendo pouco a pouco, engolindo pela globalização e as pelas tendências naturais de um país gigante, onde os ucranianos são uma gota no oceano das gentes. (Mas não deixa de ser curioso, vermos na Ucrânia tantos atrasados mentais, alguns deles com os apelidos bem ucranianos a não falarem a língua, ou até não gostarem dela).

    Por isso o meu pedido vai para si, Bohdan (além do patriota, você é um especialista em novas tecnologias, he-he, que eu não sou) e para todos os jovens ucranianos do Brasil / da Argentina, etc. Meus amigos, pegam nas vossas câmaras de filmar e vão falar com as e os avos, os tios e as tias, as primas e os primos, gravem os seus depoimentos. Não é tão importante, o que eles vão vós contar (muitos vão dizer que não são nada e nem merecem, mas não acreditem nisso), mas como vão contar. As palavras, as falas regionais (obviamente, terá que ser feito em ucraniano), enfim, um verdadeiro tesouro, que não podemos e não devemos escapar das nossas mãos.

    Nós próprios, jovens ucranianos com 25 – 45 anos temos essa tarefa nas nossas mãos, por isso mãos a obra pessoal, fazem este trabalho, coloquem os vídeos no YouTube, eu dou a minha palavra da honra que ajudarei na divulgação deste material na Ucrânia.

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  2. Amigo...

    Estou sempre a disposição para gravar qualquer depoimento, seja em ucraniano ou em português sobre a "NACHA UKRAINA". É sempre um prazer.

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